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O que é um setlist e como montar um?

10 min de leitura

Setlist é a lista das músicas que uma banda ou um músico vai tocar em um show, na ordem em que serão tocadas — o roteiro da noite. Toque as mesmas doze músicas em duas ordens diferentes e você terá duas noites diferentes. Um setlist não é uma seleção do seu repertório: é um plano para segurar a atenção de uma plateia por duas horas. Este guia passa pelas peças que o compõem: o tempo, a abertura e o encerramento, a curva de energia, as mudanças de tom, as falas, as músicas reserva e o jeito de a lista chegar às mãos de todo mundo.

O que é um setlist?

Um setlist é a lista das músicas que uma banda ou um músico vai tocar em um show, escrita na ordem em que serão tocadas. Em resumo: o programa da noite. No palco ele costuma estar em uma folha colada no chão ou em uma lista aberta em um tablet.

Setlist e repertório não são a mesma coisa, e a diferença é útil na prática: o repertório é tudo o que vocês conseguem tocar; o setlist é a seleção ordenada para esta noite. De um repertório de cem músicas sai um setlist de doze.

  • Os títulos, numerados na ordem em que serão tocados.
  • O tom de cada música — principalmente se ela foi transposta.
  • O programa dividido em sets (primeiro set / intervalo / segundo set).
  • Notas de palco: quem puxa a entrada, onde vai o capotraste, onde tem fala.
  • Bis e músicas reserva, separados, no final.

«Set list», «set-list» e «setlist» significam a mesma coisa; a grafia em uma palavra só é hoje a mais comum.

Comece pelo relógio

Tudo começa aqui: quantos minutos você tem? Se a casa disser «dois sets de quarenta e cinco minutos», esse é o seu limite. Somar só a duração das músicas engana — tudo o que acontece entre elas também come tempo.

  • A duração das músicas. Use a de vocês, não a do disco — um solo esticado acrescenta dois minutos.
  • Os intervalos entre as músicas. Conte 20–30 segundos em cada um para afinar, colocar o capotraste e contar a entrada.
  • As falas. Cumprimentos, apresentações, agradecimentos: três a cinco minutos no total.
  • Aplausos e bis. Se vocês pretendem voltar ao palco, coloquem esses cinco minutos no plano.

Uma proporção que funciona: preencha com música cerca de 85 % dos minutos combinados e deixe o resto para todo o resto. Um set de 45 minutos, a quatro minutos por música, dá nove ou dez músicas; escrever doze quase sempre significa estourar o tempo.

Escolha a abertura com cuidado

A primeira música faz duas coisas: vira a plateia para vocês e aquece a banda. Por isso a abertura não deve ser a música mais difícil de vocês. As vozes estão frias, as mãos duras e o som de palco só fica bom depois de uns trinta segundos.

  • Escolha algo conhecido. O que o público reconhece puxa a atenção na hora.
  • Andamento médio a rápido. Abrir com a música mais rápida não deixa para onde subir.
  • Fique no meio da extensão vocal. Não vá para o refrão mais agudo com a voz fria.
  • Garanta um começo claro. Uma música contada, que entra sem hesitação, dá o tom da noite.

Desenhe a curva de energia

Um setlist não pode ser uma linha reta. Tudo rápido cansa a plateia; tudo lento faz o pessoal ir embora. Um bom set sobe e desce, e chega ao pico perto do final.

PosiçãoFunçãoAndamento
1Abertura — conhecida, seguraMédio-rápido
2–3Subir a energiaRápido
4Primeira respirada — falar com a plateiaMédio
5–6Ir mais fundo, baladaLento
7–8Subir de novoMédio-rápido
9Pico da noiteRápido
10Encerramento — a que fica na memóriaRápido / grande
Um esqueleto que funciona em um set de 45 minutos.

Não empilhe baladas. Duas músicas lentas seguidas derrubam de forma visível a atenção da plateia; uma música de andamento médio no meio salva a curva.

Leia a lista de novo, agora pelos tons

Com a ordem definida, leia de novo olhando só para os tons. Quanto mais próximos estiverem os tons de duas músicas seguidas, mais suave soa a passagem; tons distantes pedem um silêncio ou uma ponte curta.

TomTons próximos
CG, F, Am, Dm, Em
GD, C, Em, Am, Bm
DA, G, Bm, Em, F♯m
AE, D, F♯m, Bm, C♯m
EB, A, C♯m, F♯m, G♯m
FC, B♭, Dm, Gm, Am
Vizinhos no ciclo das quintas — estes ficam naturalmente lado a lado.
  • Evite três músicas seguidas no mesmo tom — o set começa a soar como uma peça só, comprida.
  • Quando pular para um tom distante, coloque uma fala ou uma passagem instrumental curta no meio.
  • Deixe a música mais difícil para a voz no meio do set: aquecida, mas ainda não cansada.
  • Se uma música não cai bem na voz, mude o tom dela em vez da lista — o guia de transposição explica como.

Escreva as notas de palco na lista

Um setlist só com títulos está pela metade. Tudo o que é preciso saber no palco pertence a ele — ninguém deve depender da memória no meio do show.

  • Tom e capotraste. O tom em que vocês tocam e a casa do capotraste para os violões e guitarras.
  • Quem conta, quem começa. Notas de uma palavra: «bateria conta», «intro de guitarra».
  • Andamento. Um número de metrônomo, principalmente em bandas que aceleram ao vivo.
  • Como emenda. As músicas que entram direto na seguinte precisam estar marcadas.
  • Trocas de instrumento. Do violão para a guitarra, ou o que pedir outra afinação.

Agrupe as músicas com afinação alternativa (drop D, afinações abertas). Reafinar é a pausa mais cara do palco: mudar uma vez e tocar duas músicas vale mais do que mudar duas vezes.

Tenha músicas reserva prontas

Nenhum show sai exatamente como o planejado. Se a plateia estiver mais animada do que o esperado, vão pedir mais uma; se a banda anterior passou do tempo, o set de vocês é cortado. Prepare-se para os dois lados.

  • Escolha duas ou três reservas. Músicas conhecidas que todos consigam tocar sem ensaio.
  • Marque o que sai primeiro. Se o tempo apertar, ninguém deve discutir isso no palco.
  • Escreva as reservas no fim da lista. Uma reserva guardada só na cabeça não aparece debaixo dos refletores.

Faça a lista chegar à banda

O ponto fraco de qualquer setlist é a distância entre a versão trabalhada e a versão que está no palco. No ensaio duas músicas trocam de lugar e outra cai — mas o papel no bolso do baixista ainda tem a ordem antiga.

  • Mantenha uma fonte única. Todos leem a mesma lista; quanto mais cópias em papel, mais as versões se distanciam.
  • Compartilhe a última alteração antes de entrar. Uma correção falada no palco nunca chega a todo mundo.
  • Deixe a ordem à vista enquanto tocam. Onde vocês estão e o que vem depois deveria aparecer em uma olhada.

Um setlist digital resolve isso sozinho: a ordem vive em um único lugar, as alterações chegam a todos ao mesmo tempo e, quando alguém escolhe a próxima música no palco, todas as telas viram para ela juntas. O lado prático está em tablet no palco.

Checagem final antes de entrar

  1. Você refez as contas do tempo, com os intervalos incluídos?
  2. A abertura e o encerramento estão decididos? Nenhum dos dois deveria continuar em discussão.
  3. Sobraram duas baladas seguidas? Coloque uma de andamento médio no meio.
  4. As músicas que obrigam a reafinar estão agrupadas?
  5. As reservas estão escolhidas e os cortes marcados?
  6. Todo mundo tem a versão final?

No Songlivo o setlist é montado uma vez, reordenado arrastando e, no modo palco, escolher uma música leva todos os aparelhos conectados até ela — ninguém precisa acompanhar a ordem sozinho. Como configurar está no guia passo a passo.

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